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Feito para o sossego

É no seu jardim, no litoral norte paulista,
que Pedrinha Parisi recarrega as energias entre um trabalho e outro


A arquiteta paisagista paulistana Pedrinha Parisi não imaginava que seus projetos aflorariam em um local distante da metrópole, entre as mon-tanhas e o mar. Grande parte de seus trabalhos localizam-se nas regiões de Bertioga, Riviera de São Lourenço e em outras praias do litoral norte paulista. “
Entre idas e vindas, senti necessidade de adquirir um refúgio
para descansar após as obras e desfrutar de momentos de lazer ao lado
da família”, comenta Pedrinha sobre a residência de 120 m², localizada
entre as praias de Riviera de São Lourenço e Itaguaré.
“Não precisava de muito, mas minha prioridade era o sossego. O ter-
reno dos fundos, destinado ao lazer, não passa de 100 m². De brinde, ganha-
mos como vizinha uma área que recentemente foi tombada como Parque

Estadual de Restinga de Bertioga, onde temos a última praia virgem de São
Paulo, Itaguaré, e o maior maciço contínuo de restinga e vegetação sem
interrupção, até a Serra do Mar”, conta a profissional. Tal proximidade
permite contemplar no jardim várias espécies de pássaros, como beija-flo-
res – atraídos pelas flores da sapatinho-de-judia (Thunbergia mysorensis),
que dão pêndulos de até 1,50 m de comprimento com florações. Também
aparecem sabiá-de-coleira, arapongas (que vão em busca das frutas que a

paisagista deixa de petisco) e, ocasionalmente, alguns lagartos.





No local, uma piscina com raia é cercada pelo gramado que abre
espaço para as crianças brincarem e o cachorro ficar à vontade. Das late-
rais, despontam espécies vegetativas de grande efeito escultural, como a
árvore-do-viajante (Ravenala madagascariensis) e a palmeira-fuso (Hyophorbe
verschaffeltii). Pontos de forrações dão textura: o dinheiro-em-penca
(Callisia repens), com sua tonalidade esverdeada e fundo rubro, faz par-
ceria com bromélia-vermelha (Neoregelia'Fireball') e agapanto (Agapanthus
africanus), que estão a ponto de abrirem seus botões e focam a tonalida-
de de base da casa: o azul e branco. As mesmas cores se repetem na tre-
padeira tumbérgia-azul (Thunbergia grandiflora), de crescimento rápido,
utilizada para trazer privacidade.
Ainda nas áreas pavimentadas, surgem vasos com estrelítzia (Strelitzia
reginae) e manacá-de-cheiro (Brunfelsia uniflora) – próximo ao pequeno
estar externo com bancos de dormentes. O aparador é decorado com
terrários que preservam minijardins com suculentas e algumas orquídeas
(Orchidaceae). “A nossa queridinha é a orquídea monopodial Renanthera
coccinea, que diferentemente de muitas espécies, precisa de bastante sol”,
pontua a dona do jardim.




A churrasqueira e o forno e fogão a lenha alimentam o hobby da famí-

lia, que é cozinhar e conversar ao redor da mesa de madeira. Essa é ador-
nada com arranjo de bromélias espada-de-fogo (Vriesea sp). Na parede,
os painéis ganharam flores-de-maio (Schlumbergera truncata), suculentas
e chifre-de-veado (Platycerium bifurcatum) e não atrapalham a circulação
do espaço. No corredor lateral, samambaias-americana (Nephrolepis exal-
tata) e columeia (Nematanthus wettsteinii) pendem e vasos acomodam as
helicônias-papagaio (Heliconia psittacorum). No mesmo espaço, há uma
bacia repleta de filodendro-xanadu (Philodendrum Xanadu).

Conteúdo tirado da revista Paisagismo e jardinagem.






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